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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Janeiro 2008 - Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Riachos

Como que numa convergência de regiões, Riachos aninha-se entre a Lezíria, a Charneca e o Bairro. A sul, as campinas lezirentas, enquanto a norte os campos áridos mas férteis das zonas do Bairro e da Charneca. Por isso, os aspectos etnográficos de Riachos se misturem em multifacetadas referências tradicionais, que se evidenciam no próprio folclore, rico a variado. Da zona da Lezíria contemplam-se modas com a alacridade própria da parcela ribatejana, vivas e entusiasmantes; depois, em passos mais cadenciados e dolentes as danças do Bairro e da Charneca. “Os Camponeses de Riachos” interligam de forma harmoniosa as três vertentes culturais-tradicionais, proporcionando uma representação multifacetada de motivos etnográficos e do folclore cantado e dançado. Por isso os trajes, de confecção esmerada, contrastam entre as cores vivas e alguma sobriedade. O temperamento do riachense é marcado pelas agruras que o tempo trazia, ano após ano; entre o desespero trazido pelas cheias dos rios Tejo e Almonda, que lhe passam a sul e a norte, as gentes animavam quando a Primavera trazia os primeiros ganhos das jornas conseguidas com os trabalhos que os campos iam deixando amanhar. E no Verão, as terras férteis de muitos hectares permitiam até a distribuição do trabalho pelos ranchos de trabalhadores vindos das Beiras, da Estremadura e do Alentejo.

Riachos caracteriza-se assim por facetas culturais distintas mas muito próprias. Como se espelha nas formas de vestir, de cantar e de dançar. E tal como os seus “Camponeses” retratam com fidelidade e muita paixão.

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sábado, 22 de dezembro de 2007

Jornal Folclore / Janeiro 2008 - Sumário da Edição N.º 143

Edição N.º 143 (Janeiro 2008)
www.jornalfolclore.blogspot.com


Nota Editorial
- Federação do Folclore Português : Que esperanças?


Editorial
- Federação do Folclore Português : A continuidade?


Destaques
- Um “novo ciclo” da Federação do Folclore Português foi anunciado há três anos. O que mudou?
- Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Riachos


Reportagens
Conversas à volta do folclore na Barra Cheia
- Oficinas de Cultura Popular para aproximar os académicos dos folcloristas
- Musicalidades tradicionais em encontro de tocadores em Alcanhões


Notícias
- Federação do Folclore Português quer saber quem são os autores (!) dos reportórios dos grupos seus filiados
- Cantares de Fé em Belazaima do Chão
- Cânticos de Boas Festas “Cantar ao Menino” em Faro
- Cantar o Natal e as Janeiras em São Mamede de Infesta
- Coimbra espera o Reis no dia 5 de Janeiro
- Grupo da Universidade de Coimbra apresentou Cânticos Natalícios
- Em Argoncilhe vão cantar-se as Janeiras; em Santa Maria da Feira; em Aldeia Nova, Perafita; em Leça da Palmeira; em Fátima e em Paranhos.
- Acidente de viação mata casal do Rancho de Benfica do Ribatejo
- Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento no Brasil
- Mais de quatrocentos ouvintes num almoço-convívio do programa ‘O Povo a Cantar’
- Convívio e festa no 60.º aniversário do Rancho do Cartaxo
- Grupo de Folclore da Ribeira da Lage inaugurou a sua sede social


Esfinge
- Santa ignorância, pelo Dr. Aurélio Lopes


Inovação / Tradição
- Delícias do mar não é marisco, por Eng.º Manuel Farias


Bibliografia
- A Sagração da Primavera, pelo Dr. Aurélio Lopes


Cartas ao director
- “Desabafos” : Direito de resposta
- “O G.E.C.O.” – Carta aberta ao amigo Aurélio Lopes, Dr.


Discos
- Não houve comunicação de edição de discos para Janeiro 2008


Festivais folclóricos
- Não houve comunicação de festivais para Janeiro 2008






Janeiro 2008 - Nota Editorial : Federação do Folclore Português, que esperanças?

Não queremos ser aves agoirentas. Tão pouco trocar o mel pelo fel. Tão só desejaríamos que a velha máquina enferrujada levasse um desejado e necessário tratamento contra a corrosão. Falamos naturalmente da acção dirigista da Federação do Folclore Português, cuja equipa cessante acaba de ser empossada para novo mandato.

Há três anos anunciou-se “um novo ciclo” na vida da Federação. E foi grande a expectativa que se criou, tendo em conta a confiança depositada nos órgãos eleitos e no respeito pelas declaradas boas intenções. O programa de acção enchia de esperança quantos se ligam ao organismo por força da acção dirigente, fazendo correr a reuniões e assembleias centenas de directores e simples activistas do movimento folclórico. Em cada sessão os ânimos aumentavam, torcendo todos para que as promessas anunciadas fossem cumpridas. A Federação prometia ser um “clube” de membros folclóricos de “elite”, enquanto o apoio técnico se intensificaria na ajuda à representação etnográfica e folclórica, como assim outras cooperações eram oferecidas aos grupos filiados. Muito foi prometido, em nome de um melhor desempenho dos grupos membros da Federação. O movimento folclórico inserido no seio da Federação passaria a ser exemplo para o “outro” movimento, aquele que não integra o organismo de Arcozelo.

As reuniões de formação e informação sucediam-se pelo país. As palmas que os dirigentes ouviram foram muitas, porventura merecidas, quanto mais não fosse pelas palavras de esperança e de alento ao bom trabalho. As boas vontades uniam-se à volta do projecto de um “novo ciclo”. A expectativa, contudo, durou o tempo de um sol de Inverno. Os ânimos de quantos sempre se mantiveram entusiasmados começaram a esfriar. Cabisbaixos, já nem as reuniões repetitivas (quais plágios das antecedentes) encorajavam os voluntariosos folcloristas. As informações repetiam-se. “Andei trezentos quilómetros para ouvir o mesmo”, escutámos a uns desanimados dirigentes no final de uma das programadas assembleias. A casa continuava desarrumada, com desalinhos que começavam logo a partir da soleira da porta.

E assim, iremos concerteza continuar a termos um movimento folclórico com uma imagem destorcida, propícia a referências depreciativas e alusões desdenhosas e humilhantes. Não por culpa das conscienciosas formações, que não necessitando de conselhos, trilham o caminho do decoro e da respeitabilidade pelos valores tradicionais que se propuseram honrar.

Estimaríamos muito que acontecesse (na realidade) o tão propalado “novo ciclo” na vida de Federação no triénio que ora se inicia, e que se verificasse o oposto ao desapontamento ao anterior exercício. Todos decerto levantaríamos as mãos num forte aplauso e numa viva aclamação pelo bom desempenho. E o folclore nacional ganharia.


Manuel João Barbosa
jornalfolclore@gmail.com
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Janeiro 2008 - Editorial : Federação do Folclore Português, a continuidade?

Vão tomar posse os “novos” dirigentes da Federação do Folclore Português. Trata-se basicamente de uma recondução dos elementos que integraram os órgãos directivos do triénio anterior. O balanço da acção foi positivo? A pergunta fica no ar à procura de um dado animador. Outrossim: poderá alimentar-se expectativas em relação aos tempos que se seguem? Uma luz aparecerá finalmente no fundo do túnel? Um incomodativo marasmo vai manter-se? Estas serão, porventura, interrogações que neste momento pairam em quantos militam no movimento, fora e dentro da Federação. Do muito que se esperava do exercício iniciado em Janeiro de 2005, o que encontramos cabe numa mão pequenina. Ou algum acto ou decisão relevantes nos terão passado ao lado? A passividade (ou indiferença…) da acção directiva terá permitido um tranquilo e sereno descanso dos “guerreiros”. Membros combatentes teriam preparado batalhas, para, de forma amigável, derrotar a indisciplina e a desobediência representativa. Era uma luta (entre outras) a travar num campo onde alguns elementos persistem na insubordinação. As lanças não chegaram a ser arremetidas, em nome da paz conciliadora e da concórdia. Também em respeito pelas amizades… E o campo continua devassado por pérfidos adversários das regras e dos preceitos que regem estatutariamente o território federativo.

Uma nova voz integrante do novo elenco, em substituição, já avisou que não irá a Arcozelo “somente para matar uma mosca”. Esperamos que assim seja, conhecendo a pertinência e o rigor de acção do novo dirigente. E que essa virtude faça derramar na mesa de decisões o vírus da almejada e rigorosa acção do organismo. É o que todos desejamos.


Manuel João Barbosa
jornalfolclore@gmail.com
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Janeiro 2008 - Um “novo ciclo” da Federação do Folclore Português foi anunciado há três anos. O que mudou?

Como dantes? Que futuro?

A direcção cessante da Federação do Folclore Português anunciou no início do mandato (2005) um renovado período de vida do organismo, prometendo “a afirmação de um novo projecto”. A entrada de novos dirigentes levou à elaboração de um plano de trabalho auspicioso, prometedor de acções e actividades que levassem a uma efectiva disciplina do movimento folclórico inserido no seio da instituição. É então anunciado um novo ciclo de acção. Afinal o “novo projecto” concluiu-se apenas com a realização de algumas reuniões e acções de sensibilização. Necessárias sem dúvida, mas sem efeitos práticos. Gastaram-se dezenas de horas, com os dirigentes, conselheiros técnicos e responsáveis técnicos a suportarem pesados encargos com deslocações. Muitas interrogações se põem no início de novo mandato do executivo. Que acolhimento mereceram os vários alertas e mesmo alguns sinais de descontentamento?
Experimentemos, contudo, saber qual o balanço do anunciado plano de reestruturação, delineado para o triénio que se concluiu no final de 2007.



A direcção da Federação do Folclore Português propôs-se iniciar após a sua tomada de posse, no início de 2005, um novo ciclo. Com compreensível entusiasmo foram anunciados os princípios básicos de uma nova actuação, dentro da “actual conjuntura do movimento folclórico” e “num tempo de viragem da própria operacionalidade federativa”, informavam os “novos” responsáveis dirigentes. Era então lembrado que “ao longo do actual mandato se pugnaria pela credibilização do movimento associativo folclórico português”, apelando especialmente aos grupos filiados o seu “empenhamento no sentido de valorizarem ao máximo possível os seus actuais índices de representatividade etnográfica e folclórica”. Particular chamada de atenção foi feita à organização e realização dos festivais de folclore e às próprias actuações pelo país e no estrangeiro, que “deverão pautar-se pela maior elevação sócio-cultural, no respeito pela herança cultural, que pela sua relevância tem de ser devidamente dignificada e divulgada”, sublinhava-se no comunicado.

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Manuel João Barbosa
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Janeiro 2008 - Conversas à volta do folclore na Barra Cheia

Organizado pelo Rancho Etnográfico de Danças e Cantares da Barra Cheia, Moita, teve lugar nas suas instalações sociais um encontro de dirigentes de vários grupos de folclore da região, nomeadamente dos concelhos da Moita e Alcochete. Também de Vila Franca de Xira. Compareceram à chamada o Grupo Folclórico da Fonte da Senhora (Alcochete); Rancho Folclórico Danças e Cantares do Passil; Rancho Folclórico da Casa do Povo do Pinhal Novo e Rancho Folclórico e Etnográfico “Os Águias do Alto Estanqueiro” e Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arcena. Presença natural do grupo organizador, o Rancho Etnográfico de Danças e Cantares da Barra Cheia.

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Manuel João Barbosa
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Janeiro 2008 - Oficinas de Cultura Popular para aproximar os académicos dos folcloristas

Na Golegã decorreu mais uma edição do projecto “Oficina de Cultura Popular-Etnografia, Folclore e Turismo”, um projecto criado no domínio da Área Científica de Património Cultural através do NUPE - Núcleo de Projectos Experimentais, através do Departamento de Gestão Turística e Cultural, da Escola Superior de Gestão de Tomar do Instituto Politécnico de Tomar. “O objectivo é o de aproximar os académicos dos actores (folcloristas) que, no domínio da Etnografia, do Folclore e do Turismo, desenvolvem o seu trabalho a favor do desenvolvimento sócio-económico e cultural das suas regiões”, segundo os promotores.

O projecto “Oficina de Cultura Popular”, idealizado por docentes do Instituto Politécnico de Tomar, que leccionam na Escola Superior de Gestão, conheceu mais uma sessão no dia 8 de Dezembro, chamando ao auditório do Equuspolis, na Golegã, mais alguns académicos e estudiosos da cultura popular para dissecarem sobre os seus estudos e experiência da temática da cultura popular. Em Junho passado decorreu uma outra sessão, dentro do programa do projecto, que contou com várias personalidades da Cultura, do Folclore e do Turismo.

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Manuel João Barbosa
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Janeiro 2008 - Musicalidades tradicionais em encontro de tocadores em Alcanhões

O serão que o Rancho Folclórico de Alcanhões organizou para apresentação de instrumentos musicais que o hábitos populares vieram a tornar tradicionais, desenrolou-se com agradáveis momentos pela diversidade e características das sonoridades que se fizer em ouvir por variados instrumentos, mais básicos ou de construção mais apurada. De percussão, de sopro, de cordas, de fole. Flautas e pífaros, realejos, cavaquinhos, violas, harmónios, concertinas. Os sons, naturalmente contrastantes entre si, sucediam-se, prendando a assistência com momentos de raro encanto, oferecidos por virtuosos instrumentistas.

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Manuel João Barbosa
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Janeiro 2008 - Federação do Folclore Português quer saber quem são os autores (!) dos reportórios dos grupos seus filiados

A Federação do Folclore Português distribuiu pelos grupos, seus membros filiados, um questionário onde se pede que informem quem são os autores das músicas, danças e coreografias dos seus reportórios! Supostamente o conjunto de grupos que deveria constituir o escol da representação folclórica nacional, é detentor de um outro “folclore” que não aquele rebuscado na raíz popular. Cantam e dançam trechos imaginados por um qualquer criador! Por isso a instituição quer saber quem são os eruditos folcloristas que compuseram as modas que integram os respectivos reportórios. Diz-se que é para informar a Sociedade Portuguesa de Autores, dentro de umas presumíveis negociações.

De onde teria partido tão iluminada ideia, não se sabe. Certo é que alguns relatórios, com prazo apertado para serem enviados, já teriam chegado a Arcozelo. Mas outros terão merecido algum desprezo.

Vamos esperar para ver dirigentes e ensaiadores técnicos a darem pela sua conta bancária aumentada com os direitos autoriais das suas “obras folclóricas”. E enquanto isso, os grupos vão ter de pagar os respectivos direitos de autor pela realização dos seus Festivais ou outros espectáculos, porque tocam, cantam e dançam temas compostos por autores conhecidos.

Será que ainda podemos levar estas coisas a sério?


Manuel João Barbosa
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Janeiro 2008 - Agenda de festivais de folclore

Não houve agenda de festivais para este mês

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