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terça-feira, 17 de julho de 2007

Jornal Folclore / Janeiro 2002 - Sumário

Janeiro 2002 - Federação do Folclore Português elege corpos gerentes sem oposição

Nos termos estatuários, a Federação do Folclore Português elegeu no dia 29 de Dezembro os novos corpos directivos para o triénio 2002/2005. A afluência ao acto eleitoral foi escassa, tendo comparecido apenas 34 agrupamentos folclóricos a votar favoravelmente a única lista apresentada a sufrágio. No período da ordem do dia alguns dirigentes de grupos associados apresentaram á mesa algumas questões, tendo sido motivo de reparo a ausência de um considerável número de membros directivos ao acto eleitoral.

Procedeu-se á eleição dos novos corpos directivos, por voto secreto. A lista foi sufragada com 32 votos a favor e apenas com dois votos em branco.

O presidente da mesa declarou eleita a nova direcção da Federação, formulando votos de um bom desempenho aos novos dirigentes, e adiantou: “O país do folclore espera da nova direcção a resolução dos problemas que afligem o folclore nacional. Há coisas importantes que urge serem tratadas. Que os planos da nova direcção possam dinamizar o movimento folclórico”, concluiu o presidente da Assembleia Geral, reeleito neste acto eleitoral.


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Janeiro 2002 - Áreas de acção incluem a preparação dos conselheiros técnicos

Fernando Ferreira, vice-presidente da direcção, apresentou o programa de acção da nova direcção, que classificou de “três linhas de força”: dinamizar a área da formação; conclusão das obras da nova sede e a realização de importantes eventos com vista a promover o movimento folclórico nacional. Assim, a Federação vai convocar os conselheiros técnicos para a participação em acções de preparação, que vão ter lugar já durante o mês de Fevereiro. Igualmente, os directores e ensaiadores dos grupos folclóricos vão ter a oportunidade de melhorar a sua acção com a realização de acções de formação, que vão decorrer em locais a designar e que são subdivididos entre as regiões do Norte e do Centro e Sul, incluindo as Ilhas, que optarão por um dos locais. O dirigente apelou á participação maciça de todos os grupos. Foi ainda alvitrado um encontro com a comunicação social regional com vista a uma melhor preparação na elaboração de programas e notícias sobre a cultura popular. “Também os homens da comunicação social carecem de muita formação”, justificou Fernando Ferreira.

A Federação vai levar a efeito durante este ano, em que se assinala as Bodas de Prata da instituição, vários eventos, como a Exposição de Trajes ao Vivo, que decorrerá em Vila Nova de Gaia; a Feira Rural como há 100 Anos, em Arcozelo e a realização de um grande encontro de grupos folclóricos de todo o país, numa mostra grandiosa do universo folclórico nacional. Este encontro estará agendado para o princípio de Junho.

Fernando Ferreira lançou mais um apelo á participação: “Há que repartir responsabilidades para o maior êxito destas iniciativas, por isso convido á colaboração de todos os grupos nas realizações que referi. Todos somos voluntários de uma causa nobre que nos é muito querida”.


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Janeiro 2002 - Canadá (Montreal), Grupo Folclórico Português de Montreal: o Minho além-Atlântico

António Lourenço é um dos muitos portugueses que um dia procuraram melhores condições de vida além-Pátria. Emigrou para o Canadá na década de 60, depois de um conturbado período laboral. Aqui, depressa conseguiu um estatuto profissional digno, como mecânico de manutenção. Natural de Almada, tem profundas raízes em Montreal, onde os seus descendentes se arreigaram completamente. O regresso estará longe.

Uma enorme paixão pelas coisas populares do seu país, que a saudade fez avivar, levou-o a um enorme desafio: a formação de um grupo representativo das tradições, do seu folclore. E a ideia caiu como mel no pão. Nascia então, em 1964, o Grupo Folclórico Português de Montreal, exibindo os vistosos trajes vianeses e as danças tradicionais do Alto Minho.


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Janeiro 2002 - Soajo (Gerês), Espigueiros: redutos de pedra viva

Os Espigueiros, armazéns da esperança, erguem-se altaneiros no terreiro da casa da lavoura, junto à eira de xisto, exaltando a safra do estio, que o Outono manda colher e guardar: as espigas do milho, do centeio ou do trigo. Marcos milenários de cultura, são símbolos da ruralidade nortenha, construção fundamental na propriedade agrícola. Meio de sobrevivência nos minifúndios, os Espigueiros asseguravam as necessidades alimentares, preservando os grãos que depois eram transformados em farinha. Garantes das próximas sementeiras, os Espigueiros traduziam memórias colectivas do povo dos pequenos agregados, constituindo recôncavo de auto suficiência até ás próximas colheitas.

O Jornal Folclore visitou recentemente a colónia de espigueiros do Soajo, no Gerês. Criação monumental do engenho popular, são muitas dezenas, assentes sobre uma imensa lage granítica, cuja construção remonta ao século XVIII. Pungente realidade de cultura ambiental, exige uma apreciação despreocupada, interessada. Construções modeladas com saber e arte, que exigem uma leitura sentida, adequada a um espaço que nos parece criado, momentaneamente, por um fantasioso idílio, que só pode oferecer deslumbramento. O que vemos, entra pelos os olhos e logo atinge a alma.

No percurso, desfrutamos um panorama único; por estradas e veredas, contemplamos o profundo e frondoso vale do Lima, a albufeira do Lindoso, e logo a aldeia do Soajo. Imponentes, no cume da encosta, toda ela de xisto, dezenas de espigueiros dão-nos uma visão como que trazida por uma fábula. Todos apontam o sudoeste, procurando o clima certo à conservação do seu recheio. Cruzes encimam alguns exemplares, invocando a protecção divina. O espigueiro-primário data de 1782.

O registo fotográfico que fizémos – quantos motivos à nossa volta mereciam o flasch! – foi valorizador do nosso arquivo, tanta foi a beleza que a película agarrou.


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