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sábado, 10 de março de 2007

Jornal Folclore / Março 2007 - Sumário da Edição N.º 133

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Destaques
- Editorial : 11 anos
- Grande entrevista : Ludgero Mendes (1)
- Grande entrevista : Ludgero Mendes (2)
- Grande entrevista : Ludgero Mendes (3)
- Grande entrevista : Ludgero Mendes (citações)
- Gastronomia tradicional : O que é tradicional é bom !
- Arzila : Formação para ensaiadores
- Salvaterra de Magos : Mostra de fandangos e instrumentos musicais tradicionais
- Rancho Ceifeiras e Campinos de Azambuja : Comemorações do cinquentenário


Reportagens e Informações
- Azambuja : Revividos costumes de outrora
- França : Acção de formação em Villeneuve Saint Georges
- Fim da ajuda do Estado ao porte dos jornais mata a imprensa regional
- Câmara de Vila Franca de Xira promove colóquio sobre instrumentos tradicionais, danças e cantigas
- INATEL distribuiu apoios aos CCD's da zona Centro e Sul
- Batalha : Encontro de tocadores de instrumentos musicais tradicionais
- Dicionário Enciclopédico do Folclore Português : Publicação do 2° volume
- A indiferença política
- Retaxo : Colóquio sobre folclore
- ADRMAG lança portal do artesanato
- França : Jovem folcloristas barbaramente assassinado
- Lenços de namorados : Moda com base na tradição
- Lenços de namorados : Novos mercados
- Lenços de namorados : Cristiano Veloso vence IV Concurso Nacional de Criadores de Moda
- Lenços de namorados : Exposição em França

Ranchos e Grupos Tradicionais
- Grupo de toques e cantares tradicionais de Zebreira “Saca-Sons”
- Rancho do Tramagal comemora 25 anos de actividade
- Rancho dos Foros de Salvaterra reinicia a actividade
- Rancho “As Tecedeiras” de Bidoeira de Cima viaja à Alemanha
- Rancho de Minjoelho comemorou aniversário
- Faro : Tarde de folclore infantil
- Fátima : Encontro regional de folclore
- Rancho Rosas do Lena (Batalha) : Comemorações do aniversário de 17 a 25 de - Março Grupo Folclórico de Faro : FolkFaro entre 18 e 26 de Agosto

Outra informações
- Faleceu Manuel de Samonde
- Cartas ao Director






Março 2007 - Nota Editorial

11 ANOS

Completam-se 11 anos de publicação regular do Jornal Folclore. O resultado do trabalho materializado em cerca de 3 mil páginas, distribuídas pelas 132 edições publicadas, ficará na análise do leitor mais sensibilizado pelas efectivas questões que ao folclore dizem respeito. Sem motivos que legitimem registar a efeméride – inda que de forma simbólica – não deve deixar-se passar despercebida a existência de um órgão de comunicação social temático, cuja duração se previa efémera. Fruto de uma incomum persistência – longe de ser uma teimosia – o Jornal Folclore servirá, se para mais não haja sido útil, de conselheiro e porventura de guia, que ajude à reflexão sobre as questões afectas ao próprio folclore.

O êxito do trabalho desenvolvido ao longo de mais de uma década, contou sempre com o inestimável apoio dos seus leitores, muitos dos quais fiéis parceiros desde a primeira hora.

Continuamos o percurso de mais uma etapa – cada ano é sempre mais uma etapa. Quando em Março de 1996 fizémos aparecer, com laivos de surpresa, o primeiro número do Jornal, apossamo-nos de um objectivo, até agora cumprido, que aponta no estrito respeito pela defesa dos aspectos da cultura popular tradicional e o tema-assunto predominante no nosso trabalho – o folclore.

A frontalidade das opiniões aqui deixadas terão algumas vezes tocado em feridas que minam o folclore nacional. Com efeito, o exacto conceito daquilo que deve constituir representação dos aspectos etno-folclóricos não terá sido bem aceite por quantos os que criam e alimentam essas chagas. Contra interesses instalados, ousámos repetidamente fazer passar a mensagem da pedagogia, alertando para os erros que grassam dentro do movimento. Um impulso nem sempre bem entendido.

Tarda que aconteça um útil separar das águas. Enquanto isso o folclore continua a ser visto como coisa menor e a protelar uma desejada imagem de sublimação. E de rigor e qualidade.

“Um grupo de folclore nunca será grandioso dentro do espectáculo quanto aquele outro grupo que foi criado fora do contexto folclórico”, citando o antropólogo Aurélio Lopes. Com efeito, os grupos com uma efectiva investigação, e que logo oferecem um meritório trabalho de promoção cultural tradicional, estão, para nosso desconsolo, em lamentável minoria. A esmagadora maioria teima, por opção, a não quererem ser formações com uma acertada representação de uma determinada realidade tradicional local, preferindo o pitoresco, aquilo que mais garante e provoca o espectáculo fácil, os aplausos. Perto destes grupos, e para o espectador comum, uma acertada formação nunca será importante e admirável.

Assim, a imagem negativa que transpira do movimento folclórico chega ao próprio poder central, o Governo. Que atenção podemos então exigir dos governantes a esta causa?

Resta redimirmo-nos ao fraco desempenho que é oferecido pelo universo folclórico nacional. Por culpa de todos nós. Mas, pelo pecador … paga o justo. [...]

Manuel João Silva Barbosa
Director do Jornal “Folclore”
jornalfolclore@gmail.com




Março 2007 - Ludgero Mendes


Gerente bancário de profissão. “Scalabitano Ilustre” por nomeação da Câmara Municipal de Santarém; Vice-presidente e coordenador do Conselho Técnico Regional do Ribatejo da Federação do Folclore Português; presidente do Grupo Académico de Danças Ribatejanas de Santarém; rosto do Festival Internacional de Folclore “Celestino Graça” (Santarém); realizador e apresentador de programas rádio e colunista de imprensa, respectivamente nas áreas da cultura popular e da tauromaquia; dirigente associativo.


Conhecido pelo seu aprumo e verticalidade, capricha pela justeza dos pontos em observação.


De um enorme carácter e inteligência, é detentor de um notável poder de argumentação.


O versátil cooperante tem ainda outra enorme virtude: ao folclore dedica uma incomum paixão.

Um rol de predicados para rechear as páginas deste Jornal – tantas quanto as necessárias – de eloquentes pontos de vista em relação ao facto folclórico e ao seu movimento representativo, protagonizado pelos grupos de folclore, como assim da acção desenvolvida pelos organismos que oferecem algum rumo ao próprio folclore e à cultura popular. As esclarecedoras e abalizadas opiniões do sensato folclorista e dedicado dirigente, aqui ficam como esteio de mensagem.


E de alguma pedagogia também [...]


Março 2007 - Grande entrevista


“O movimento folclórico, a todos os níveis, não está isento de culpas sobre o que se passa em termos de representação tradicional”

Entrevista de : Manuel João Barbosa


Ludgero Mendes foi o interlocutor eleito na edição de aniversário do Jornal Folclore, para uma conversa sobre as questões que envolvem a representação da cultura tradicional portuguesa, protagonizada pelos grupos de folclore. Com a frontalidade que lhe é reconhecida, o dirigente e folclorista aponta o dedo, sem peias, aventa soluções e apela ao bom senso dos responsáveis e participantes activos no movimento associativo folclórico. Mensagens a reter e recados a ter em conta.

É sabido que na formação de um grupo de folclore deve estar presente muita sensibilidade e algum conhecimento das coisas da tradição. Como aconselharia a essa formação?

Se um conjunto de pessoas hoje quisesse formar um grupo de folclore, recomendaria que naturalmente fizessem um trabalho prévio em termos pesquisa documental. Essa pesquisa deve passar pela consulta de livros monográficos sobre a região, se porventura houvessem, tentar quanto possível o cesso ao maior número possível de fontes, obter




Março 2007 - Citações de Ludgero Mendes


Citações

“Acho que seria fundamental, em favor do próprio folclore, que nas autarquias houvesse pessoas com sensibilidade para abordar esta matéria. Nas câmaras onde há pessoas que têm essa sensibilidade, é possível fazer-se um bom trabalho”

“Os apoios não podem significar apenas atribuição de subsídio, porque em muitos casos é bem mais importante oferecer-se apoio em termos de formação em detrimento da ajuda financeira”

“As câmaras deveriam apostar na formação técnica dos responsáveis pelos seus grupos, no sentido de os estimular a terem uma perfeita noção do que se espera dum grupo de folclore”

“O folclore é uma área cultural da maior sensibilidade e importância que não deveria ser tratada com a distracção – e digo distracção para ser simpático – com que muitos dos nossos responsáveis políticos o fazem”

“Tem de haver um grande empenhamento do Estado na salvaguarda da cultura tradicional e criar as condições que possam permitir a formação e a sensibilização sobre os aspectos da cultura lusa no mundo”

“Faço alguma autocrítica e mea culpa; tenho intervindo ao longo de trinta anos no movimento associativo folclórico e se calhar não fiz tanto quanto deveria ter feito”

“ [No Ribatejo] mitificou-se a representação folclórica em torno do tipicismo do traje do campino, ofuscando praticamente todas as demais representações do ponto de vista social”

“Deve haver a noção de que o povo que os grupos representam não merece ser indignificado, nem os jovens que integram os grupos devem ser usados numa representação que carece de credibilidade”

“Sabemos que o factor turístico tem muita importância no Minho, sabemos que as pessoas se habituaram a olhar aquele mito que nos parece fabricado, mas quem está culturalmente empenhado em fazer um bom trabalho em matéria de representação do folclore não pode olhar tanto ao aspecto estético, e terá sobretudo que assentar na perspectiva cultural”

“Propositadamente não estabeleço uma diferença entre grupos filiados na Federação do Folclore Português e grupos não filiados, porque todos nós sabemos que há no seio da Federação grupos que não têm um índice técnico bastante para serem membros efectivos deste organismo e também sabemos que fora da Federação existem muitos grupos com qualidade técnica que fariam jus serem membros da Federação”

“Há grupos aos quais tiro o chapéu, porque evidenciam muito cuidado na forma como estão preparados nos aspectos etnográfico e folclórico”

“É para nós um conforto moral sabermos que no estrangeiro emigrantes de segunda ou terceira geração, jovens que nasceram nos países de acolhimento, ainda continuam a cantar em português, se orgulham de vestir trajes tradicionais portugueses e conservam orgulho na cultura popular portuguesa”

“Ao Estado compete a salvaguarda da cultura portuguesa no estrangeiro e da matriz identitária de Portugal e desse esforço não deve demitir-se”