Mostrar mensagens com a etiqueta 200705 - Edição Maio 2007. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 200705 - Edição Maio 2007. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Jornal Folclore / Maio 2007 - Sumário da Edição N.º 135


Edição N.º 135 (Maio 2007)
www.jornalfolclore.blogspot.com



Informação
- Recuperação da vila avieira de Benfica do Ribatejo pode ser uma realidade
- Nazaré: Grupo Etnográfico expõe etnografia no Centro Cultural
- Rancho Tá-Mar ofereceu tarde folclore na praia
- Lisboa: Arraial Minhoto levou ao rubro Pavilhão em Benfica
- Grupo Folclórico de Castelo do Neiva comemora aniversário com tarde de folclore
- Rancho Folclórico da Correlhã regressou da Tunísia
- FestiMaiorca 2007 vai decorrer entre 13 e 19 de Julho
- Águeda: Associação Etnográfica Os Serranos em assembleia geral


Secções
- Cartas ao director - Trajes : “Sr. director, Li e reli o trabalho sobre um colóquio …
- Festivais : Realizações durante o mês de Maio
- Discografia : Os discos chegados à Redacção
- Corpos Gerentes : Os novos corpos sociais de grupos e ranchos de folclore

Opinião
- Equívoco, pelo Dr. Aurélio Lopes
- Futuros da(s) cultura(s) popular(es) II, pelo Dr. Humberto Nelson Ferrão


Assine o jornal FOLCLORE !




Image Hosted by ImageShack.us

www.jornalfolclore.blogspot.com

Maio 2007 : Nota Editorial - Outra vez os concursos e os prémios


Anda por aí o anúncio de prémios conquistados por um agrupamento português – o “1.º Prémio de Traje e o prémio de Autenticidade”, num determinado Festival Mundial de Folclore recentemente realizado no estrangeiro.

Já aqui dissemos que não deixará de ser descabido, por absurdo, a “conquista” de prémios entre qualquer representação folclórica. E perguntamos: qual o critério que pode levar à classificação de ranchos de folclore quando cada qual representa – distintamente! – uma cultura? Classificar num evento colectivo grupos representativos de diversas regiões (ou de diversos países), será um erro crasso. O acto exige bom senso de quem se atreve a fazer uma classificação, distinguindo grupos tradicionais como bons e menos bons e a atribuir-lhe prémios. Se uma classificação é dada pela espectacularidade das danças (quase sempre isentas de verdade) ou pela garridice dos trajes (mesmo que não representativos), ou ainda pela influência pessoal (ou de outra ordem) dos líderes dos grupos ‘beneficiados’, então o engano é ainda maior.

Temos assim que a apreciação, para efeitos de classificação, de várias representações etnográficas e folclóricas, não faz qualquer sentido quando estão em causa realidades distintas de projectos que diferem, quase sempre, de forma abismal, uns dos outros, tanto no campo da etnografia e do folclore, como nas vertentes cultural e social, influenciadoras da forma de viver, trabalhar e de diversão do povo. Ora, cada representação tradicional, quando envolvida num trabalho sério de estudo da realidade cultural da sua área, tem a importância que tem, e não será por ser mais modesta ou menos espectacular, que é inferior àquela que encanta pelo movimento das danças ou pelo colorido dos trajes.

Entenda-se de uma vez por todas a complexidade que envolve as competições folclóricas, arredadas que estão – completamente! – de qualquer objectivo social ou cultural, mas antes embrenhadas em interesses comerciais, onde a questão financeira conta.

Percebamos isto de uma vez por todas e deixemos de pactuar com manifestações sórdidas de quem não possui sequer competência quanto baste para analisar, muitas vezes, a sua própria cultura.


Maio 2007 : Editorial - O artesanato e a carga fiscal


A pungente realidade que trazemos à liça na página 3 desta edição espelha a insensibilidade da administração central pelas questões da cultura popular, no caso concreto da vertente tradicional ligada ao artesanato. Trata-se de uma actividade que é desenvolvida por pessoas com aptidão e talento raros, e que por isso mesmo deveriam ser completados com um estatuto especial de apoio, já que não lhes quisessem dispensar admiração. A arte que vendem estará longe de ser convenientemente remunerada, na ausência de um comércio regular. Ainda assim, a mão impiedosa do fisco sobrecarrega o modesto rendimento dos artífices, com elevados encargos e impostos. Atente-se, por exemplo, na taxa do IVA – 21% – que é aplicada sobre a comercialização dos ingénuos artefactos que fabricam. Em Espanha a actividade artesanal é reconhecida como sector de interesse público e tributado apenas com 7%.


Por cá, não se olha a meios para corrigir o défice. A implacável máquina fiscal deixa atordoado o mais humilde contribuinte e mostra-se indiferente ao reduzido ou mesmo inexistente rendimento do cidadão, cobrando sempre e por nada. A aberrante teoria de quem comercializa tem de ter lucros, contraria qualquer ética de recebimento de impostos, mesmo quando não haja rendimentos e existam mesmo prejuízos. Ao Estado compete ajudar a sobrevivência – a dita reinserção – ao invés de apoiar a inércia.

Manuel João Barbosa

Maio 2007 : Impostos “matam” o artesanato


Apesar das propaladas ajudas governamentais …

Os artesãos estão a abandonar a arte desmotivados pelos elevados encargos que têm de suportar pelo exercício da actividade. Os proventos mal dão para sobreviver e ainda se sobrecarregam com elevadas mensalidades para a Segurança Social e o pagamento do IVA pela venda das peças, tributadas com a taxa máxima – 21%. As dificuldades económicas ditam o fim da actividade, que ainda vai sendo desenvolvida, com alguma teimosia, por alguns artesãos. A desmotivação pelo peso da carga fiscal e dos encargos sociais está a levar ao abandono da arte. São as malhas que a administração fiscal tece. Sem dó nem piedade.

A crise está instalada dentro do sector artesanal, para desalento daqueles que escolheram uma rudimentar forma de vida, ou tão simplesmente dar alento à sua capacidade de criar, para granjearem alguns proventos que ajudasse à sua subsistência. Muitos deles estão numa fase adiantada da vida, preenchendo o tempo com o fabrico ou confecção de artefactos, uma arte que um dia os seduziu, por inspiração ou dom. Saberes ancestrais que mãos hábeis moldam à sua feição figuras ou peças com materiais que a natureza lhes deu ou o seu engenho produziu ou reciclou. Inicialmente imaginados com um cariz utilitário, materializados em objectos úteis e funcionais, passaram mais recentemente ao domínio comercial, sendo adquiridos como peças de particular recordação. Contudo, a original arte parece estar com os dias contados, especialmente para os desprotegidos artesãos individuais, que não conseguem a protecção das leis que contemplam o colectivo associado. A entrada em Feiras e Mercados da especialidade parece estar cada vez mais fechada para os artífices “por conta própria”, em muitos casos adequadamente documentados perante as exigências administrativas e oficiais. Os preços dos espaços, por outro lado, também não são se compadecem com a crise das vendas, exigindo verbas incomportáveis. Só o apoio das autarquias resolve em muitos casos a presença dos artesãos locais em certos eventos.

“Há muitos dias que não vendemos uma peça”, lamentava-se um artesão, interrogando-se como podia fazer face aos encargos com os elevados impostos, sempre certos, como a Segurança Social. “O IVA é muito alto, com uma taxa de 21%, o que encarece o preço das peças que fazemos; em Espanha é de apenas 7%”, lembrava o artífice, que ao [...]

Maio 2007 : Rancho Folclórico da Casa do Povo de Vialonga (Vila Franca de Xira)


Uma uniformidade de trajes, que na formação inicial oferecia ao grupo uma figuração estereotipada, prejudicava a representação tradicional – etnográfica e folclórica – do Rancho de Vialonga. Passeou-se assim pelos palcos do País durante muitos anos. Em 2001 os actuais responsáveis reorganizaram o seu desempenho etno-folclórico, procurando retratar outras formas da vivência popular na região que representa, entre o Ribatejo e a Estremadura saloia. Ainda a tempo rebuscaram nas memórias vivas o folclore validado pelas tradições de um passado anterior a um desenfreado fluxo migratório de outras culturas e costumes, oriundos de variadas regiões do País, que em catadupa invadiu aquela região ribatejana, procurando na indústria o trabalho que a agricultura lhes negava. Recuando no tempo, os “pesquisadores” do Rancho de Vialonga arrolaram costumes e usanças tornados tradição, indagaram das formas de vestir e registaram cantigas e danças rotineiras nos divertimentos populares. Os factos folclóricos estavam preparados para levar à mostra pública [...]

Maio 2007 : A representação do folclore em sessão de esclarecimento no Retaxo


O Rancho Folclórico do Retaxo (Castelo Branco) organizou na sua sede mais uma sessão de esclarecimento sobre a representação do folclore. Foi significativa a presença de responsáveis dos grupos que desenvolvem um trabalho sério ou que procuram um rumo acertado para os projectos ainda em desenvolvimento. Alguns conselhos foram deixados aos assistentes, exortando ao respeito pelas tradições locais e usanças populares de outrora.

Foi particularmente notada foi a ausência de alguns dirigentes dos grupos de folclore da região da Beira Baixa na sessão de esclarecimento que o Rancho Folclórico de Retaxo (Castelo Branco) organizou no dia 25 de Março, na sua sede. A ausência que mereceu maior reparo respeitou aos “responsáveis de grupos que mais necessitam de guias orientadoras para o trabalho que estão a desenvolver. Tudo sabem, já nem com Deus aprendem”, comentou-se no final da sessão.Ludgero Mendes, de Santarém, deixou preciosos aconselhamentos sobre aquilo que deve constituir a representação, “navegando” em torno dos conceitos do folclore. Tomando em conta a definição encontrada numa assembleia de folcloristas realizada em Santarém em 2001, por iniciativa do Jornal Folclore, o dirigente folclorista reforçou que “folclore é a expressão cultural tradicional que envolve os aspectos que foram usuais numa determinada comunidade e num tempo necessariamente recuado, dos comportamentos aos modos de vida”. Lembrou que “um grupo de folclore deve ter [...]

Maio 2007 : Acção de formação em Arzila - Folcloristas com outros conceitos de folclore


Novos caminhos se perspectivam no trabalho que é desenvolvido pelos grupos de folclore a que pertencem vinte e quatro dirigentes e responsáveis técnicos de quinze grupos de folclore, depois do curso que concluíram no dia 14 de Abril em Arzila (Coimbra). A formação foi da responsabilidade da Associação Eiranças – Folclore Regional das Beiras e contou com o apoio do Grupo Etnográfico de Arzila (Coimbra), disponibilizando as instalações. A apresentação do espectáculo “Alma da Candeia”, apresentado em Arzila culminando a acção de formação, evidenciou o aproveitamento dos ensinamentos ministrados, pondo à prova como se devem utilizar os temas recolhidos e depois tratadas com rigor pelos grupos de folclore.

Depois de um inusitado interesse à volta do curso que decorreu em Belazaima do Chão (Águeda) entre Outubro e Novembro do ano passado, sobre outros conceitos de representação do folclore, surgiu idêntica iniciativa, desta vez com realização em Arzila (Coimbra), nas magnificas instalações sociais do Grupo Etnográfico local. A acção de formação contou com a participação de vinte e quatro responsáveis de cerca de quinze grupos e folclore dos concelhos de Coimbra e Aveiro, e decorreu dentro de um plano de formação delineado pela Associação Eiranças – Folclore Regional da Beiras, inserido no projecto “Artes do Espectáculo para Ensaiadores de Folclore”. O curso decorreu durante os meses de Fevereiro e Março e culminou no dia 14 de Abril com a apresentação de um espectáculo participado pelos próprios formandos, a que chamaram “Alma da Candeia”. O espectáculo recorreu ao “movimento da alma beirã, errante entre o dia no campo e o serão abrigado entre pedras de granito e debaixo de telha ou das lajes finas de xisto, procurando encontros, chegadas e partidas, a pretexto das fainas comunitárias e com entreajuda solidária. A candeia e o azeite nosso de cada dia viajam com a alma das beiras ao longo deste espectáculo [...]

Maio 2007 : Batalha - Na Rebolaria tocou-se música tradicional com arte


O 8.º Encontro de Tocadores de Instrumentos musicais tradicionais organizado pelo Rancho Rosas do Lena, da Rebolaria (Batalha), proporcionou uma autêntica parada de admiráveis sonoridades musicais tradicionais, que hábeis tocadores fizeram ouvir, regalando a assistência e conferindo à música tradicional um estatuto de cultura de arte. O desfile das musicalidades da tradição inseriu-se nas comemorações do 44.º do prestigiado grupo da Batalha e do 6.º aniversário do seu Museu Etnográfico.

O programa do Encontro de Tocadores de Instrumentos Musicais Tradicionais que decorreu no dia 24 de Fevereiro na Rebolaria (Batalha), organizado pelo Rancho Rosas do Lena para assinalar o seu 44.º aniversário, regalou quantos a ele assistiram pela deliciosa entoação da música tocada, enquanto os mais entendidos sublinharam a qualidade das interpretações. “Proporcionar um maior conhecimento dos instrumentos musicais tradicionais e da música popular enquanto património valioso, é o objectivo da iniciativa”, informou José Travaços Santos, o mentor do evento. Algumas originalidades valorizaram o programa, como a singular sonoridade oferecida pelas “Pedrinhas de Arronches”, (Alto Alentejo), sabiamente tocadas por exímios executantes da primitiva tradição local. Antes fizeram-se ouvir os alunos da escola de música do Rancho Rosas do Lena, que obtiveram nota alta pela excelente prestação [...]

Maio 2007 : Évora - Sonoridades do mundo no espectáculo ‘Raízes do Som’


À música e à tradição portuguesa, juntaram-se os sons, os sabores, os saberes e as tradições de outras culturas intercontinentais, naquele que foi o 2.º Encontro de Musica e Tradição de Évora “Raízes do Som”. As sonoridades do Mundo, participaram nesta singular iniciativa abrangente e multicultural.

A Associação Cultural do Imaginário em parceria com a centenária Sociedade Operária de Instrução e Recreio (SOIR) Joaquim António de Aguiar, ambas sedeadas em Évora, voltaram a agitar a vida quotidiana dos eborenses nos dois últimos fins de semana de Fevereiro com a realização dum encontro de dimensão internacional, com espectáculos de música, animações de rua, oficinas de sons e de saber fazer de outros lugares, colóquios e mostras gastronómicas, dando substancia ao programa da segunda edição do Encontro de Música e Tradição de Évora “Raízes do Som”. Com efeito, no âmbito da iniciativa as várias actividades e saberes, fizeram desta cidade alentejana um espaço privilegiado de discussão em torno das tradições e práticas rituais e culturais
[...]