As melodias e cantigas que há muito se popularizaram, tornando-se conhecidas pela beleza melódica e até poética que os caracteriza, e que foram rebuscadas na raíz popular de determinadas regiões, são (também) usufruto de outros grupos, quase sempre por razões que a própria razão desconhece. Em muitos casos, trata-se de cópias descaradas, que um eventual trabalho de recolha local não providenciou como devia. Prefere-se o plágio, rebuscando em discos ou cassetes de temas que garantem o agrado das plateias. O logro é conhecido, e já mereceu algumas vezes reparo nas colunas deste Jornal. Mas o embuste torna-se maior quando a prática parte de grupos responsáveis, que anunciam um trabalho sério e respeitador das pesquisas e recolhas um dia feitas (supostamente), com vista a integrarem o respectivo espólio de temas tradicionais da região que o grupo plagiador representa. O logro terá mesmo merecido o aval e a aprovação superior de entendidos das questões culturais populares, quando ao dito grupo é aferida qualidade representativa.Contudo, os aludidos temas ou se escondem da apreciação dos ditos especialistas do foro folclórico, ou passam na rede da selecção, que deveria filtrar esses erros, devendo deixá-los escoar para um buraco de onde não pudessem mais sair.
Vem este arrazoado a propósito das músicas que se ouvem sem qualquer diferença melódica entre a região de origem e aquela que a “aculturou” de forma abusiva por um seu representante. E confirmada fica a falsidade quando logo se escuta a letra respectiva, com todas as quadras cantadas sequencialmente de acordo com a construção original. A circunstância revela que se trata de um plágio atrevido e reprovável. Ou é coincidência?
Entre grupos responsáveis, é tempo de deixarmos de “comer” gato por lebre. Já nos basta os “pitéus” que nos servem as formações recreativas ou de inspiração folclórica.

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